João Deus

Portugal — Poeta/Pedagogo

8 Mar 1830 // 11 Jan 1896

38 Poemas

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    Beijo

    João Deus

    Beijo na face

    Pede-se e dá-se:

    Dá?

    Que custa um beijo?

    Não tenha pejo:

    Vá!


    Um beijo é culpa,

    Que se desculpa:

    Dá?

    A borboleta

    Beija a violeta:

    Vá!


    Um ...

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    O Dinheiro

    João Deus

    O dinheiro é tão bonito,

    Tão bonito, o maganão!

    Tem tanta graça, o maldito,

    Tem tanto chiste, o ladrão!

    O falar, fala de um modo...

    Todo ele, aquele todo...

    E ...

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    Mãe e Filho

    João Deus

    Primícias do meu amor!

    Meu filhinho do meu seio

    Tenro fruto que à luz veio

    Como à luz da aurora a flor!


    Na tua face inocente,

    De teu pai a ...

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    A Caridade

    João Deus

    Eu podia falar todas as línguas

    Dos homens e dos anjos;

    Logo que não tivesse caridade,

    Já não passava de um metal que tine,

    De um sino vão que soa ...

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    Amo-te Muito, Muito!

    João Deus

    Amo-te muito, muito!

    Reluz-me o paraíso

    Num teu olhar fortuito,

    Num teu fugaz sorriso!


    Quando em silêncio finges

    Que um beijo foi furtado

    E o rosto desmaiado

    De cor-de-rosa tinges ...

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    Melancolia

    João Deus

    Oh dôce luz! oh lua!

    Que luz suave a tua,

    E como se insinua

    Em alma que fluctua

    De engano em desengano!

    Oh creação sublime!

    A tua luz reprime

    As ...

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    Saudade

    João Deus

    Tu és o cálix;

    Eu, o orvalho!

    Se me não vales,

    Eu o que valho?


    Eu se em ti caio

    E me acolheste

    Torno-me um raio

    De luz celeste!


    Tu ...

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    Primeiro Amor

    João Deus

    Ó Mãe... de minha mãe!

    Explica-me o segredo

    Que eu mesmo a Deus sem medo

    Não ia confessar:

    Aquele seu olhar

    Persegue-me, e receio,

    Pressinto no meu seio

    Ergue-se-me outro ...

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    Avarento

    João Deus

    Puxando um avarento de um pataco

    Para pagar a tampa de um buraco

    Que tinha já nas abas do casaco,

    Levanta os olhos, vê o céu opaco,

    Revira-os fulo e ...

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    Perdão!

    João Deus

    Seria o beijo

    Que te pedi,

    Dize, a razão

    (outra não vejo)

    Por que perdi

    Tanta afeição?

    Fiz mal, confesso;

    Mas esse excesso,

    Se o cometi,

    Foi por paixão,

    Sim ...

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