Mãe e Filho
João Deus

Primícias do meu amor!

Meu filhinho do meu seio

Tenro fruto que à luz veio

Como à luz da aurora a flor!


Na tua face inocente,

De teu pai a face beijo,

E em teus olhos, filho, vejo

Como Deus é providente;


Via em lâmina dourada

O meu rosto todo o dia,

E a minha alma não havia

De a ver nunca retratada?


Quando o pai me unia à face

E em seus braços me apertava,

Pomba ou anjo nos faltava

Que ambos juntos abraçasse!


Felizmente Deus que o centro

Vê da Terra e vê do abismo,

Que bem sabe no que eu cismo,

Na minha alma um altar viu dentro:


Mas com lâmpada sem brilho,

Sem o deus a que era feito...

Bafeja-me um dia o peito,

E eis feito o meu gosto, filho!


Como em lágrimas se espalma

Dor íntima e se esvaece

De alma o resto quem pudesse

Vazar todo na tua alma!


Mas em ti minha alma habita!

Mas teu riso a vida furta...

Mas que importa! (morte curta!)

Se um teu beijo ressuscita!