Impossível
Rogaciano Leite
Tudo findo. Deixaste-me e seguiste
O primeiro que veio ao teu caminho;
Não pensaste sequer que fiquei triste,
Preso à desgraça de viver sozinho!

Dois longos anos!... Nunca mais me viste !...
Foram-se as aves, desmanchou-se o ninho!...
Hoje, me escreves: “Meu viver consiste
Na mistura de lágrimas e vinho!”

E me imploras: “Perdoa-me e consente
Que eu vá viver contigo novamente,
Pois só contigo poderei ter paz!”

Eu te perdôo... mas o empecilho é este:
Eu amava aquela alma que perdeste…
Alma que nunca reconquistarás!...

Fortaleza — dezembro, 1948.