A Barcaça
Rogaciano Leite
O mar soluça e geme. A onda bravia
Num véu de espuma contra o céu se envolve
E o leito enorme d’água se revolve
Em convulsões de dor e de agonia.

Ao longe, uma barcaça fugidia
Seu vulto branco às longas praias volve
Como a garça cansada que resolve
Tocar da costa a areia luzidia…

Eu vou como a barcaça em desalento,
Que as águas corta por mercê do vento
E após mil temporais toca no porto…

Também após mil temporais da sorte,
Do mar da vida para o cais da morte
Meu coração vai navegando morto!

Maceió, 1940.