As Ondas
Olavo Bilac
Entre as trêmulas mornas ardentias, A noite no alto-mar anima as ondas. Sobem das fundas úmidas Golcondas, Pérolas vivas, as nereidas frias: Entrelaçam-se, correm fugidias, Voltam, cruzando-se; e, em lascivas…
As Velhas Árvores
Olavo Bilac
Olha estas velhas árvores, — mais belas, Do que as árvores mais moças, mais amigas, Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procelas . . .…
Benedicite
Olavo Bilac
Bendito o que na terra o fogo fez, e o teto E o que uniu à charrua o boi paciente e amigo; E o que encontrou a enxada; e o…
Como a floresta secular
Olavo Bilac
IV Como a floresta secular, sombria, Virgem do passo humano e do machado, Onde apenas, horrendo, ecoa o brado Do tigre, e cuja agreste ramaria Não atravessa nunca a luz…
Como quisesse livre ser
Olavo Bilac
XXXII Como quisesse livre ser, deixando As paragens natais, espaço em fora, A ave, ao bafejo tépido da aurora, Abriu as asas e partiu cantando. Estranhos climas, longes céus, cortando…
De outras sei
Olavo Bilac
IX De outras sei que se mostram menos frias, Amando menos do que amar pareces. Usam todas de lágrimas e preces: Tu de acerbas risadas e ironias. De modo tal…
Deixa o olhar do mundo
Olavo Bilac
X Deixa que o olhar do mundo enfim devasse Teu grande amor que é teu maior segredo! Que terias perdido, se, mais cedo, Todo o afeto que sentes se mostrasse?…
Delírio
Olavo Bilac
Nua, mas para o amor não cabe o pejo Na minha a sua boca eu comprimia. E, em frêmitos carnais, ela dizia: – Mais abaixo, meu bem, quero o teu…
Dormes
Olavo Bilac
XVIII Dormes... Mas que sussurro a umedecida Terra desperta? Que rumor enleva As estrelas, que no alto a Noite leva Presas, luzindo, à túnica estendida? São meus versos! Palpita a…
Dualismo
Olavo Bilac
Não és bom, nem és mau: és triste e humano... Vives ansiando, em maldições e preces, Como se, a arder, no coração tivesses O tumulto e o clamor de um…