A Meus Filhos
António Osório
A meus filhos desejo a curva do horizonte. E todavia deles tudo em mim desejo: o felino gosto de ver, o brilho chuvoso da pele, as mãos que desvendam e…
Amo os Teus Defeitos
António Osório
Amo os teus defeitos, e tantos eram, as tuas faltas para comigo e as minhas; essa ênfase de rechaçar por timidez; solidão de fazer trepadeiras, agasalhos para velhos, depois para…
Os Loucos
António Osório
Há vários tipos de louco. O hitleriano, que barafusta. O solícito, que dirige o trânsito. O maníaco fala-só. O idiota que se baba, explicado pelo psiquiatra gago. O legatário de…
Sítio Exacto
António Osório
Sei que não acaba o teu prazer, nem o meu. Alguém ama connosco e nos leva ao sítio exacto das estações. Nem o sono depois nos pertence, quinhão de outros…
Mãe que Levei à Terra
António Osório
Mãe que levei à terra como me trouxeste no ventre, que farei destas tuas artérias? Que medula, placenta, que lágrimas unem aos teus estes ossos? Em que difere a minha…
Amar
António Osório
Amar não deve ser desfortuna. O cio transfunde a lagartixa e o homem na criação tenaz. E o buxo, o pólen e as primeiras folhas da vinha virgem. Amor não…
Peso do Mundo
António Osório
A poesia não é, nunca foi uma enumeração ou composto de exuberância, bondade, altitude, nem arado ou dádiva sobre chão prenhe de mortos. Nem o arrependimento de Deus por ter…
As Adolescentes
António Osório
A pele mosqueada da maçã reineta, um ar vago e doce, feliz. Subitamente correm como rapazes, são a corda do arco que se dilata e a seta do corpo chega…
Cada Segundo
António Osório
Não desejo a indigência, a serenidade dos lugares desertados: desejo que cada segundo quando amo explodisse e fosse a terra em sua expansão durante a primeira noite, a gestante, do…
Nascente
António Osório
Quando sinto de noite o teu calor dormente e devagar para que não despertes digo: cedro azul, terra vegetal, ou só amor, amor; quando te acaricio e devagar para que…