Sonhos Meus
Marquesa Alorna

Sonhos meus, suaves sonhos,

Sois melhores do que a verdade;

Quando sonho sou ditosa,

Sem o ser na realidade.


Amor, tu vens nos meus sonhos

Acalmar-me o coração;

Mas cruel! Quanto prometes

Não passa de uma ilusão.


Sonhei, tirano, esta noite,

Sonhei que tu me chamavas,

E que sobre a relva branda

Tu mesmo me acalentavas.


Disseste-me: “Dorme, Alcipe,

Amor sobre ti vigia,

Mal podes temer os fados.”


Dormi: neste dobre sono

Me achei n’um palacio d’ouro:

Entregaram-me uma chave

Para que abrisse um tesouro.


- “Chave mágica, sublime,

Que me vais tu descobrir?

Se é menos do que eu desejo

Será melhor não abrir…”


- “Abre, Alcipe” qual trovão

Brada o deus que me vigia:

Acordei sobressaltada,

E abriu-se, mas foi o dia.