Lusitânia Querida
Marquesa Alorna

Lusitânia querida! Se não choro

Vendo assim lacerado o teu terreno,

Não é de ingrata filha o dó pequeno;

Rebeldes julgo os ais, se te deploro.


Admiro de teus danos o decoro.

Bebeu Sócrates firme seu veneno;

E em qualquer parte do perigo o aceno

Encontra e cresce o teu valor, que adoro.


Mais que a vitória vale um sofrer belo;

E assaz te vingas de opressões fatais,

Se arrasada te vês, sem percebê-lo.


Povos! a independência que abraçais

Aplaude, alegre, o estrago, e grita ao vê-lo:

"Ruína sim, mas servidão jamais!"