São Plácidas Todas as Horas que Nós Perdemos
Ricardo Reis
Mestre, são plácidas Todas as horas Que nós perdemos, Se no perdê-las, Qual numa jarra, Nós pomos flores. Não há tristezas Nem alegrias Na nossa vida. Assim saibamos, Sábios incautos,…
Nada Tem Sentido
Ricardo Reis
Nos altos ramos de árvores frondosas O vento faz um rumor frio e alto, Nesta floresta, em este som me perco E sozinho medito. Assim no mundo, acima do que…
Não só Vinho, mas nele o Olvido
Ricardo Reis
Não só vinho, mas nele o olvido, deito Na taça: serei ledo, porque a dita É ignara. Quem, lembrando Ou prevendo, sorrira? Dos brutos, não a vida, senão a alma,…
Se me Ainda Amas, por Amor não Ames
Ricardo Reis
Já sobre a fronte vã se me acinzenta O cabelo do jovem que perdi. Meus olhos brilham menos. Já não tem jus a beijos minha boca. Se me ainda amas,…
Temo, Lídia, o Destino. Nada é Certo
Ricardo Reis
Temo, Lídia, o destino. Nada é certo. Em qualquer hora pode suceder-nos O que nos tudo mude. Fora do conhecido é estranho o passo Que próprio damos. Graves numes guardam…
Não Sei se é Amor que Tens, ou Amor que Finges
Ricardo Reis
Não sei se é amor que tens, ou amor que finges, O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta. Já que o não sou por tempo, Seja eu jovem por…
O que Sentimos é o que Temos
Ricardo Reis
O que sentimos, não o que é sentido, É o que temos. Claro, o inverno triste Como à sorte o acolhamos. Haja inverno na terra, não na mente. E, amor…
As Rosas Amo dos Jardins de Adônis
Ricardo Reis
As Rosas amo dos jardins de Adônis, Essas volucres amo, Lídia, rosas, Que em o dia em que nascem, Em esse dia morrem. A luz para elas é eterna, porque…
Aos Deuses Peço só que me Concedam o Nada lhes Pedir
Ricardo Reis
Aos deuses peço só que me concedam O nada lhes pedir. A dita é um jugo E o ser feliz oprime Porque é um certo estado. Não quieto nem inquieto…
Nada Fica de Nada
Ricardo Reis
Nada fica de nada. Nada somos. Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos Da irrespirável treva que nos pese Da humilde terra imposta, Cadáveres adiados que procriam. Leis…