Mário Quintana

Brasil — Poeta/Cronista

30 Jul 1906 // 5 Mai 1994

Foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Considerado o "poeta das coisas simples", com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica, ele trabalhou como jornalista quase toda a sua vida. Sua principal obra é O Batalhão das Letras (1948). Fonte: Wikipedia.

14 Poemas

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  • Poemas

    As Mãos do Meu Pai

    Mário Quintana
    As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
    sobre um fundo de manchas já cor de terra
    — como são belas as tuas mãos —
    pelo quanto lidaram, acariciaram…

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    O Mapa

    Mário Quintana
    Olho o mapa da cidade
    Como quem examinasse
    A anatomia de um corpo...

    (É nem que fosse o meu corpo!)

    Sinto uma dor infinita
    Das ruas de Porto Alegre
    Onde…

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    Se tu me Amas

    Mário Quintana
    Se tu me amas, ama-me baixinho
    Não o grites de cima dos telhados
    Deixa em paz os passarinhos
    Deixa em paz a mim!
    Se me queres,
    enfim,
    tem de ser…

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    O Auto-Retrato

    Mário Quintana
    No retrato que me faço
    - traço a traço -
    às vezes me pinto nuvem,
    às vezes me pinto árvore...

    às vezes me pinto coisas
    de que nem há mais…

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    Eu Escrevi um Poema Triste

    Mário Quintana
    Eu escrevi um poema triste
    E belo, apenas da sua tristeza.
    Não vem de ti essa tristeza
    Mas das mudanças do Tempo,
    Que ora nos traz esperanças
    Ora nos dá…

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    Os Poemas

    Mário Quintana
    Os poemas são pássaros que chegam
    não se sabe de onde e pousam
    no livro que lês.
    Quando fechas o livro, eles alçam vôo
    como de um alçapão.
    Eles não…

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    Ah! Os Relógios

    Mário Quintana
    Amigos, não consultem os relógios
    quando um dia eu me for de vossas vidas
    em seus fúteis problemas tão perdidas
    que até parecem mais uns necrológios...

    Porque o tempo é…

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    A Canção da Vida

    Mário Quintana
    A vida é louca
    a vida é uma sarabanda
    é um corrupio...
    A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
    de raparigas em flor
    e está cantando
    em torno…

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    Da Discrição

    Mário Quintana
    Não te abras com teu amigo
    Que ele um outro amigo tem.
    E o amigo do teu amigo
    Possui amigos também...




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    Do Amoroso Esquecimento

    Mário Quintana
    Eu, agora - que desfecho!
    Já nem penso mais em ti...
    Mas será que nunca deixo
    De lembrar que te esqueci?




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