Sem Palavras
Florbela Espanca
Brancas, suaves mãos de irmã Que são mais doces que as das rainhas, Hão de pousar em tuas mãos, as minhas Numa carícia transcendente e vã. E a tua boca…
Neurastenia
Florbela Espanca
Sinto hoje a alma cheia de tristeza! Um sino dobra em mim Ave-Maria! Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias, Faz na vidraça rendas de Veneza ... O vento desgrenhado…
Conto de Fadas
Florbela Espanca
Eu trago-te nas mãos o esquecimento Das horas más que tens vivido, Amor! E para as tuas chagas o unguento Com que sarei a minha própria dor. Os meus gestos…
Espera...
Florbela Espanca
Não me digas adeus, ó sombra amiga, Abranda mais o ritmo dos teus passos; Sente o perfume da paixão antiga, Dos nossos bons e cândidos abraços! Sou a dona dos…
Supremo Enleio
Florbela Espanca
Quanta mulher no teu passado, quanta! Tanta sombra em redor! Mas que me importa? Se delas veio o sonho que conforta, A sua vinda foi três vezes santa! Erva do…
Anoitecer
Florbela Espanca
A luz desmaia num fulgor d'aurora, Diz-nos adeus religiosamente... E eu, que não creio em nada, sou mais crente Do que em menina, um dia, o fui... outrora... Não sei…
Que Importa?...
Florbela Espanca
Eu era a desdenhosa, a indif'rente. Nunca sentira em mim o coração Bater em violências de paixão Como bate no peito à outra gente. Agora, olhas-me tu altivamente, Sem sombra…
Nervos D'Oiro
Florbela Espanca
Meus nervos, guizos de oiro a tilintar Cantam-me n'alma a estranha sinfonia Da volúpia, da mágoa e da alegria, Que me faz rir e que me faz chorar! Em meu…
O Meu Soneto
Florbela Espanca
Em atitudes e em ritmos fleumáticos, Erguendo as mãos em gestos recolhidos, Todos brocados fúlgidos, hieráticos, Em ti andam bailando os meus sentidos... E os meus olhos serenos, enigmáticos Meninos…
Volúpia
Florbela Espanca
No divino impudor da mocidade, Nesse êxtase pagão que vence a sorte, Num frêmito vibrante de ansiedade, Dou-te o meu corpo prometido à morte! A sombra entre a mentira e…