Anseios
Florbela Espanca
Meu doido coração aonde vais, No teu imenso anseio de liberdade? Toma cautela com a realidade; Meu pobre coração olha cais! Deixa-te estar quietinho! Não amais A doce quietação da…
Não Ser
Florbela Espanca
Quem me dera voltar à inocência Das coisas brutas, sãs, inanimadas, Despir o vão orgulho, a incoerência: - Mantos rotos de estátuas mutiladas! Ah! arrancar às carnes laceradas Seu mísero…
Vaidade
Florbela Espanca
Sonho que sou a Poetisa eleita, Aquela que diz tudo e tudo sabe, Que tem a inspiração pura e perfeita, Que reúne num verso a imensidade! Sonho que um verso…
Charneca em Flor
Florbela Espanca
Enche o meu peito, num encanto mago, O frêmito das coisas dolorosas... Sob as urzes queimadas nascem rosas... Nos meus olhos as lágrimas apago... Anseio! Asas abertas! O que trago…
Trazes-me em Tuas Mãos de Vitorioso
Florbela Espanca
Trazes-me em tuas mãos de vitorioso Todos os bens que a vida me negou, E todo um roseiral, a abrir, glorioso Que a solitária estrada perfumou. Neste meio-dia límpido, radioso,…
Errante
Florbela Espanca
Meu coração da cor dos rubros vinhos Rasga a mortalha do meu peito brando E vai fugindo, e tonto vai andando A perder-se nas brumas dos caminhos. Meu coração o…
Crepúsculo
Florbela Espanca
Teus olhos, borboletas de oiro, ardentes Batendo as asas leves, irisadas, Poisam nos meus, suaves e cansadas Como em dois lírios roxos e dolentes... E os lírios fecham... Meu Amor,…
Versos
Florbela Espanca
Versos! Versos! Sei lá o que são versos... Pedaços de sorriso, branca espuma, Gargalhadas de luz, cantos dispersos, Ou pétalas que caem uma a uma... Versos!... Sei lá! Um verso…
À Tua Porta Há um Pinheiro Manso
Florbela Espanca
À tua porta há um pinheiro manso De cabeça pendida, a meditar, Amor! Sou eu, talvez, a contemplar Os doces sete palmos do descanso. Sou eu que para ti atiro…
Amiga
Florbela Espanca
Deixa-me ser a tua amiga, Amor, A tua amiga só, já que não queres Que pelo teu amor seja a melhor, A mais triste de todas as mulheres. Que só,…