Pequena Elegia de Setembro
Eugénio Andrade
Não sei como vieste, mas deve haver um caminho para regressar da morte. Estás sentada no jardim, as mãos no regaço cheias de doçura, os olhos pousados nas últimas rosas…
As Frágeis Hastes
Eugénio Andrade
Não voltarei à fonte dos teus flancos ao fogo espesso do verão a escorrer infatigável dos espelhos, não voltarei. Não voltarei ao leito breve onde quebrámos uma a uma todas…
No Fim do Verão
Eugénio Andrade
No fim do verão as crianças voltam, correm no molhe, correm no vento. Tive medo que não voltassem. Porque as crianças às vezes não regressam. Não se sabe porquê mas…
Pequena Elegia Chamada Domingo
Eugénio Andrade
O domingo era uma coisa pequena. Uma coisa tão pequena que cabia inteirinha nos teus olhos. Nas tuas mãos estavam os montes e os rios e as nuvens. Mas as…
Quase Nada
Eugénio Andrade
O amor é uma ave a tremer nas mãos de uma criança. Serve-se de palavras por ignorar que as manhãs mais limpas não têm voz.
Último Poema
Eugénio Andrade
É Natal, nunca estive tão só. Nem sequer neva como nos versos do Pessoa ou nos bosques da Nova Inglaterra. Deixo os olhos correr entre o fulgor dos cravos e…
Contigo
Eugénio Andrade
Acordo na manhã de oiro entre o teu rosto e o mar. As mão afagam a luz, prolongam o dia breve. Entre o teu rosto e o mar ninguém deseja…
Coroava-te de Rosas
Eugénio Andrade
Se pudesse, coroava-te de rosas neste dia — de rosas brancas e de folhas verdes, tão jovens como tu, minha alegria. Terra onde os versos vão abrindo, meu coração, não…
Que Diremos Ainda?
Eugénio Andrade
Vê como de súbito o céu se fecha sobre dunas e barcos, e cada um de nós se volta e fixa os olhos um no outro, e como deles devagar…
Rosto Afogado
Eugénio Andrade
Para sempre um luar de naufrágio anunciará a aurora fria. Para sempre o teu rosto afogado, entre retratos e vendedores ambulantes, entre cigarros e gente sem destino, flutuará rodeado de…