Carta ao Mar
António Gomes Leal
Deixa escrever-te, verde mar antigo, Largo Oceano, velho deus limoso, Coração sempre lyrico, choroso, E terno visionario, meu amigo! Das bandas do poente lamentoso Quando o vermelho sol vae ter…
Tristissima
António Gomes Leal
N'um paiz longe, secreto, Lendaria ilha affastada, Jaz todo o dia sentada N'um throno de marmor preto. No seu palacio esculpido Não entram constellações; Os tectos dos seus sallões São…
Miseria Occulta
António Gomes Leal
Bate nos vidros a aurora, Vem depois a noute escura; E o pobre astro que ali móra, Não abandona a costura! Para uns a vida é d'abrolhos! Para outros mouta…
A Visita
António Gomes Leal
Hontem dormia à noute - e, eis que desperto Sacudido d'um vento agudo e forte, Como um homem tocado pela Morte, Ou varrido d'um vento do deserto. Accordei - era…
O Selvagem
António Gomes Leal
Eu não amo ninguem. Tambem no mundo Ninguem por mim o peito bater sente, Ninguem entende meu sofrer profundo, E rio quando chora a demais gente. Vivo alheio de todos…