Pouco a Pouco o Campo se Alarga e se Doura
Alberto Caeiro
Pouco a pouco o campo se alarga e se doura. A manhã extravia-se pelos irregulares da planície. Sou alheio ao espetáculo que vejo: vejo-o, É exterior a mim. Nenhum sentimento…
Como um Grande Borrão de Fogo Sujo
Alberto Caeiro
Como um grande borrão de fogo sujo O sol posto demora-se nas nuvens que ficam. Vem um silvo vago de longe na tarde muito calma. Deve ser dum comboio longínquo.…
Pobres das Flores dos Canteiros
Alberto Caeiro
Pobres das flores dos canteiros dos jardins regulares. Parecem ter medo da polícia... Mas tão boas que florescem do mesmo modo E têm o mesmo sorriso antigo Que tiveram para…
A Natureza é Bela e Antiga
Alberto Caeiro
Os pastores de Virgílio tocavam avenas e outras cousas E cantavam de amor literariamente. (Depois eu nunca li Virgílio. Para que o havia eu de ler?) Mas os pastores…
Um Renque de Árvores lá Longe
Alberto Caeiro
Um renque de árvores lá longe, lá para a encosta. Mas o que é um renque de árvores? Há árvores apenas. Renque e o plural árvores não são cousas, são…
Última Estrela a Desaparecer Antes do Dia
Alberto Caeiro
Última estrela a desaparecer antes do dia, Pouso no teu trémulo azular branco os meus olhos calmos, E vejo-te independentemente de mim, Alegre pela vitória que tenho em poder ver-te…