Livro, se Luz Desejas
António Ferreira

Livro, se luz desejas, mal te enganas.

Quanto melhor será dentro em teu muro

Quieto, e humilde estar, inda que escuro,

Onde ninguém t'impece, a ninguém danas!


Sujeitas sempre ao tempo obras humanas

Coa novidade aprazem; logo em duro

Ódio e desprezo ficam: ama o seguro

Silêncio, fuge o povo, e mãos profanas.


Ah! não te posso ter! deixa ir comprindo

Primeiro tua idade; quem te move

Te defenda do tempo, e de seus danos.


Dirás que a pesar meu fostes fugindo,

Reinando Sebastião, Rei de quatro anos:

Ano cinquenta e sete: eu vinte e nove.