Ela, em meu Sonho
Alfredo Guisado

Ela vivia num palácio mouro...

Nas harpas, os seus dedos a espreitarem

como pajens curiosos, a afastarem

os cortinados todos fios de ouro.


As suas mãos, tão leves como as aves,

ora fugiam volitando, frias,

ora pesam, trêmulas, suaves,

nas cordas, a sonharem melodias...


E os sons que ela tangia, aos seus ouvidos

chegaram, receosos de senti-la,

voltavam a não ser nunca tangidos.


É que ela, as suas mãos, as harpas de ouro,

não eram mais do que um supor ouvi-la

e o meu julgá-la num palácio mouro.