Vitorino Nemésio

Vitorino Nemésio

Portugal — Poeta/Escritor

1901 // 1978

15 Poemas

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    Vitorino Nemésio Teu Só Sossego aqui Contigo Ausente

    Vitorino Nemésio
    Teu só sossego aqui contigo ausente Na casa que te veste à justa de paredes, Tenho-te em móveis, nos perfumes, na semente Dos cuidados que deixas ao partir, A doce…

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    Vitorino Nemésio Arrependo-me de a Meter num Romance

    Vitorino Nemésio
    O poema tem mais pressa que o romance, Asa de fogo para te levar: Assim, pois, se houver lama que te lance Ao corpo quente algum, hei-de chorar. Deus fez…

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    Vitorino Nemésio Tenho uma Saudade tão Braba

    Vitorino Nemésio
    Tenho uma saudade tão braba Da ilha onde já não moro, Que em velho só bebo a baba Do pouco pranto que choro. Os meus parentes, com dó, Bem que…

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    Vitorino Nemésio O Futuro Perfeito

    Vitorino Nemésio
    À minha neta Anica A neta explora-me os dentes, Penteia-me como quem carda. Terra da sua experiência, Meu rosto diverte-a, parda Imagem dada à inocência. Finjo que lhe como os…

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    Vitorino Nemésio Já não Escreverei Romances

    Vitorino Nemésio
    Já não escreverei romances Nem contos da fada e o rei. Vão-se-me todas as chances De grande escritor. Parei. Mas na chispa do verso, Com Marga a aquecer-me, Já não…

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    Vitorino Nemésio Violada

    Vitorino Nemésio
    Possuíram-te nas ervas, Deitada ao comprido Ou lívida a pé: Do estupro conservas O sangue e o gemido Na morte da fé. Chegaste a cavalo Trémula de espanto: Esperavas levá-lo…

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    Vitorino Nemésio A Tempo

    Vitorino Nemésio
    A tempo entrei no tempo, Sem tempo dele sairei: Homem moderno, Antigo serei. Evito o inferno Contra tempo, eterno À paz que visei. Com mais tempo Terei tempo: No fim…

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    Vitorino Nemésio Já Velho e Doente

    Vitorino Nemésio
    «Seja a terra da Terceira A minha coberta de alma», Disse eu na idade fagueira, Em que tudo é força e calma. Mas hoje, já velho e doente, Em que…

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    Vitorino Nemésio Que Bem Sabe o Amor Constante

    Vitorino Nemésio
    Até no carro te canto, Fala a fala, seio a seio, Espantado de um encanto Que mais parece receio De te perder à partida Pra te ganhar à chegada, Pois…

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    Vitorino Nemésio Maio de Minha Mãe

    Vitorino Nemésio
    O primeiro de Maio de minha Mãe Não era social, mas de favas e giestas. Uma cadeira de pau, flor dos dedos do Avô — Polimento, esquadria, engrade, olhá-la ao…

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