Fiei-me nos Sorrisos da Ventura
Manuel Bocage
Fiei-me nos sorrisos da ventura, Em mimos feminis, como fui louco! Vi raiar o prazer; porém tão pouco Momentâneo relâmpago não dura: No meio agora desta selva escura, Dentro deste…
Eu Deliro, Gertrúria, eu Desespero
Manuel Bocage
Eu deliro, Gertrúria, eu desespero No inferno de suspeitas e temores. Eu da morte as angústias e os horrores Por mil vezes sem morrer tolero. Pelo Céu, por teus olhos…
Ó Trevas, que Enlutais a Natureza
Manuel Bocage
Ó trevas, que enlutais a Natureza, Longos ciprestes desta selva anosa, Mochos de voz sinistra e lamentosa, Que dissolveis dos fados a incerteza; Manes, surgidos da morada acesa Onde de…
Aquele, a Quem Mil Bens Outorga o Fado
Manuel Bocage
Aquele, a quem mil bens outorga o Fado, Desejo com razão da vida amigo Nos anos igualar Nestor, o antigo, De trezentos invernos carregado: Porém eu sempre triste, eu desgraçado,…
O Redentor Chorando
Manuel Bocage
Se considero o triste abatimento Em que me faz jazer minha desgraça, A desesperação me despedaça, No mesmo instante, o frágil sofrimento. Mas súbito me diz o pensamento, Para aplacar-me…
Meus Olhos, Atentai no Meu Jazigo
Manuel Bocage
Meus olhos, atentai no meu jazigo, Que o momento da morte está chegado; Lá soa o corvo, intérprete do fado; Bem o entendo, bem sei, fala comigo: Triunfa, Amor, gloria-te,…