Colada à Tua Boca
Hilda Hilst
Colada à tua boca a minha desordem. O meu vasto querer. O incompossível se fazendo ordem. Colada à tua boca, mas descomedida Árdua Construtor de ilusões examino-te sôfrega Como se…
Porque Há Desejo em Mim
Hilda Hilst
Porque há desejo em mim, é tudo cintilância. Antes, o cotidiano era um pensar alturas Buscando Aquele Outro decantado Surdo à minha humana ladradura. Visgo e suor, pois nunca se…
Existe a Noite
Hilda Hilst
Existe a noite, e existe o breu. Noite é o velado coração de Deus Esse que por pudor não mais procuro. Breu é quando tu te afastas ou dizes Que…
Ver-te. Tocar-te
Hilda Hilst
Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras. Que desenhos e rictus na tua cara Como os frisos veementes dos tapetes antigos. Que sombrio te tornas se repito O sinuoso caminho que…
Vinda do Fundo
Hilda Hilst
Vinda do fundo, luzindo Ou atadura, escondendo, Vindo escura Ou pegajosa lambendo Vinda do alto Ou das ferraduras Memoriosa se dizendo Calada ou nova Vinda da coitadez Ou régia numas…
Te Baptizar de Novo
Hilda Hilst
Te baptizar de novo. Te nomear num trançado de teias E ao invés de Morte Te chamar Insana Fulva Feixe de flautas Calha Candeia Palma, porque não? Te recriar nuns…