As Andorinhas de Antônio Nobre
Cassiano Ricardo
—Nos —fios —ten sos —da —pauta —de me- tal —as — an/ do/ ri/ nhas —gri- tam —por —fal/ ta/ —de u- ma —cl'a- ve —de —sol In: RICARDO, Cassiano.…
Café-Expresso
Cassiano Ricardo
1 Café-expresso — está escrito na porta. Entro com muita pressa. Meio tonto, por haver acordado tão cedo... E pronto! parece um brinquedo... cai o café na xícara pra gente…
Ditirambo da Paz
Cassiano Ricardo
quero paz não de pás de cal nem de pas- maceira quero paz de pás ao ombro paz viva paz que mantém o homem em pé na pers- pectiva do…
João, o Telegrafista
Cassiano Ricardo
I João telegrafista. Nunca mais que isso, estaçãozinha pobre havia mais árvores pássaros que pessoas. Só tinha coração urgente. Embora sem nenhuma promoção. A bater a bater sua única tecla.…
Meus Oito Anos
Cassiano Ricardo
No tempo de pequenino eu tinha medo da cuca velhinha de óculos pretos que morava atrás da porta... Um gato a dizer currumiau de noite na casa escura... De manhã,…
Morte em Câmara de Gás
Cassiano Ricardo
1 Tão certa a morte que inútil marcar-lhe uma hora exata. Gosto da lei em ser exata não apenas certa. Nenhuma razão pra tanto amor ao relógio, ao necrológio. A…
Os Subvivos
Cassiano Ricardo
III Na sobremesa os convivas alheios à fome de quem ficou sob a mesa. Não os seduzem os subvivos. Os subnutridos do subsolo. Os subjugados do subsolo. Todos os súditos…
Retorno à Rua
Cassiano Ricardo
I Turba-multa multicor. Em tumulto. O ideal e a fome reunidos em algum lugar da terra na rua. Contra a exploração do osso humano pelo cachorro humano. Subvivos, no anseio…
Sala de Espera
Cassiano Ricardo
(Ah, os rostos sentados numa sala de espera. Um "Diário Oficial" sobre a mesa. Uma jarra com flores. A xícara de café, que o contínuo vem, amável, servir aos que…
Serenata Sintética
Cassiano Ricardo
Rua torta. Lua morta. Tua porta. Publicado no livro Um dia depois do outro, 1944/1946 (1947). In: RICARDO, Cassiano. Poesias completas. Pref. Tristão de Athayde. Rio de Janeiro: J. Olympio,…