Carlos Oliveira

Portugal — Escritor

10 Ago 1921 // 1 Jul 1981

15 Poemas

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  • Poemas

    Carta a Ângela

    Carlos Oliveira
    Para ti, meu amor, é cada sonho
    de todas as palavras que escrever,
    cada imagem de luz e de futuro,
    cada dia dos dias que viver.

    Os abismos das coisas,…

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    Sono

    Carlos Oliveira
    Dormir
    mas o sonho
    repassa
    duma insistente dor
    a lembrança
    da vida
    água outra vez bebida
    na pobreza da noite:
    e assim perdido
    o sono
    o olvido
    bates, coração, repetes…

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    Elegia em Chamas

    Carlos Oliveira
    Arde no lar o fogo antigo
    do amor irreparável
    e de súbito surge-me o teu rosto
    entre chamas e pranto, vulnerável:

    Como se os sonhos outra vez morressem
    no lume…

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    Soneto da Chuva

    Carlos Oliveira
    Quantas vezes chorou no teu regaço
    a minha infância, terra que eu pisei:
    aqueles versos de água onde os direi,
    cansado como vou do teu cansaço?
    Virá abril de novo,…

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    Acusam-me de Mágoa e Desalento

    Carlos Oliveira
    Acusam-me de mágoa e desalento,
    como se toda a pena dos meus versos
    não fosse carne vossa, homens dispersos,
    e a minha dor a tua, pensamento.

    Hei-de cantar-vos a beleza…

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    Tempo

    Carlos Oliveira
    O tempo é um velho corvo
    de olhos turvos, cinzentos.
    Bebe a luz destes dias só dum sorvo
    como as corujas o azeite
    dos lampadários bentos.

    E nós sorrimos,
    pássaros…

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    Leitura

    Carlos Oliveira
    Quando por fim as árvores
    se tornam luminosas; e ardem
    por dentro pressentindo;
    folha a folha; as chamas
    ávidas de frio:
    nimbos e cúmulos coroam
    a tarde, o horizonte,
    com…

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    Infância

    Carlos Oliveira
    Sonhos
    enormes como cedros
    que é preciso
    trazer de longe
    aos ombros
    para achar
    no inverno da memória
    este rumor
    de lume:
    o teu perfume,
    lenha
    da melancolia.


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    Cantiga do Ódio

    Carlos Oliveira
    O amor de guardar ódios
    agrada ao meu coração,
    se o ódio guardar o amor
    de servir a servidão.
    Há-de sentir o meu ódio
    quem o meu ódio mereça:
    ó…

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    Montanha

    Carlos Oliveira
    Sons sob a luz. Mosteiros,
    torres sobrenaturais,
    vibrando fluidamente no ar;
    como? se o fluxo de mica,
    os altos blocos de água,
    cintilam sem rumor.

    Toda esta arquitectura,
    lenta percussão,…

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