A Palavra Mágica
Carlos Drummond de Andrade
Certa palavra dorme na sombra de um livro raro. Como desencantá-la? É a senha da vida a senha do mundo. Vou procurá-la. Vou procurá-la a vida inteira no mundo todo.…
Balada do Amor através das Idades
Carlos Drummond de Andrade
Eu te gosto, você me gosta desde tempos imemoriais. Eu era grego, você troiana, troiana mas não Helena. Saí do cavalo de pau para matar seu irmão. Matei, brigámos, morremos.…
Poema da Necessidade
Carlos Drummond de Andrade
É preciso casar João, é preciso suportar António, é preciso odiar Melquíades, é preciso substituir nós todos. É preciso salvar o país, é preciso crer em Deus, é preciso pagar…
O Amor Antigo
Carlos Drummond de Andrade
O amor antigo vive de si mesmo, não de cultivo alheio ou de presença. Nada exige nem pede. Nada espera, mas do destino vão nega a sentença. O amor antigo…
Toada do Amor
Carlos Drummond de Andrade
E o amor sempre nessa toada: briga perdoa perdoa briga. Não se deve xingar a vida, a gente vive, depois esquece. Só o amor volta para brigar, para perdoar, amor…
O Constante Diálogo
Carlos Drummond de Andrade
Há tantos diálogos Diálogo com o ser amado o semelhante o diferente o indiferente o oposto o adversário o surdo-mudo o possesso o irracional o vegetal o mineral o inominado…
Amor - Pois que é Palavra Essencial
Carlos Drummond de Andrade
Amor pois que é palavra essencial comece esta canção e toda a envolva. Amor guie o meu verso, e enquanto o guia, reúna alma e desejo, membro de vulva.…
Véspera
Carlos Drummond de Andrade
Amor: em teu regaço as formas sonham o instante de existir: ainda é bem cedo para acordar, sofrer. Nem se conhecem os que se destruirão em teu bruxedo. Nem tu…
Certas Palavras
Carlos Drummond de Andrade
Certas palavras não podem ser ditas em qualquer lugar e hora qualquer. Estritamente reservadas para companheiros de confiança, devem ser sacralmente pronunciadas em tom muito especial lá onde a polícia…
Necrológio dos Desiludidos do Amor
Carlos Drummond de Andrade
Os desiludidos do amor estão desfechando tiros no peito. Do meu quarto ouço a fuzilaria. As amadas torcem-se de gozo. Oh quanta matéria para os jornais. Desiludidos mas fotografados, escreveram…