Homem
António Gedeão
Inútil definir este animal aflito. Nem palavras, nem cinzéis, nem acordes, nem pincéis são gargantas deste grito. Universo em expansão. Pincelada de zarcão desde mais infinito a menos infinito.
Poema da Memória
António Gedeão
Havia no meu tempo um rio chamado Tejo que se estendia ao Sol na linha do horizonte. Ia de ponta a ponta, e aos seus olhos parecia exactamente um espelho…
Poema do Homem Novo
António Gedeão
Niels Armstrong pôs os pés na Lua e a Humanidade saudou nele o Homem Novo. No calendário da História sublinhou-se com espesso traço o memorável feito. Tudo nele era novo.…
Poema da Terra Adubada
António Gedeão
Por detrás das árvores não se escondem faunos, não. Por detrás das árvores escondem-se os soldados com granadas de mão. As árvores são belas com os troncos dourados. São boas…
Poema da Morte na Estrada
António Gedeão
Na berma da estrada, nuns quinhentos metros, estão quinhentos mortos com os olhos abertos. A morte, num sopro, colheu-os aos molhos. Nem tiveram tempo para fechar os olhos. Eles bem…