Ó Noite, Coalhada nas Formas de um Corpo de Mulher
Fernando Namora

Ó noite, coalhada nas formas de um corpo de mulher

vago e belo e voluptuoso,

num bailado erótico, com o cenário dos astros, mudos

[e quedos.

Estrelas que as suas mãos afagam e a boca repele,

deixai que os caminhos da noite,

cegos e rectos como o destino,

suspensos como uma nuvem,

sejam os caminhos dos poetas

que lhes decoraram o nome.

Ó noite, coalhada nas formas de um corpo de mulher!

Esconde a vida no seio de uma estrela

e fá-la pairar, assim mágica e irreal,

para que a olhemos como uma lua sonâmbula.