Nada se Pode Comparar Contigo
Manuel Bocage

O ledo passarinho, que gorjeia

D'alma exprimindo a cândida ternura;

O rio transparente, que murmura,

E por entre pedrinhas serpenteia;


O Sol, que o céu diáfano passeia,

A Lua, que lhe deve a formosura,

O sorriso da Aurora, alegre e pura,

A rosa, que entre os Zéfiros ondeia;


A serena, amorosa Primavera,

O doce autor das glórias que consigo,

A Deusa das paixões e de Citera;


Quanto digo, meu bem, quanto não digo,

Tudo em tua presença degenera.

Nada se pode comparar contigo.