Quem Jaz no Grão Sepulcro
Luís Vaz Camões
Quem jaz no grão sepulcro, que descreve Tão ilustres sinais no forte escudo? Ninguém, que nisso, enfim, se torna tudo; Mas foi quem tudo pôde e quem tudo teve. Foi…
Quando Eu Via o Triste Fim que Davam os Meus Amores
Luís Vaz Camões
O cisne, quando sente ser chegada A hora que põe termo à sua vida, Harmonia maior, com voz sentida, Levanta pela praia inabitada. Deseja lograr vida prolongada, E dela está…
Do Viver me Desapossa aquele Riso com que a Vida Dais
Luís Vaz Camões
Formosos olhos, que na idade nossa Mostrais do Céu certíssimos sinais, Se quereis conhecer quanto possais, Olhai-me a mim, que sou feitura vossa. Vereis que do viver me desapossa Aquele…
Tudo Muda uma Áspera Mudança
Luís Vaz Camões
Tomava Daliana por vingança Da culpa do pastor que tanto amava, Casar com Gil vaqueiro; e em si vingava O erro alheio e pérfida esquivança. A discrição segura, a confiança…
Tão Conformes na Ventura
Luís Vaz Camões
Quantas vezes do fuso se esquecia Daliana, banhando o lindo seio, Outras tantas de um áspero receio Salteado Laurénio a cor perdia. Ela, que a Sílvio mais que a si…
Tomou-me Vossa Vista Soberana
Luís Vaz Camões
Tomou-me vossa vista soberana Aonde tinha as armas mais à mão, Por mostrar a quem busca defensão Contra esses belos olhos, que se engana. Por ficar da vitória mais ufana,…
Qualquer outro Bem Julgo por Vento
Luís Vaz Camões
Quando da bela vista e doce riso Tomando estão meus olhos mantimento, Tão elevado sinto o pensamento, Que me faz ver na terra o Paraíso. Tanto do bem humano estou…
Quanto Mais me Paga, Mais me Deve
Luís Vaz Camões
Passo por meus trabalhos tão isento De sentimento grande nem pequeno, Que só por a vontade com que peno Me fica Amor devendo mais tormento. Mas vai-me Amor matando tanto…