Os Filhos São Figuras Estremecidas
José Jorge Letria
Os filhos são figuras estremecidas e, quando dormem, a felicidade cerra-lhes as pálpebras, toca-lhes os lábios, ama-os sobre as camas. É por mim que chamam quando temem o eclipse e…
Mãe, Eu Estou tão Cansado
José Jorge Letria
Mãe, eu estou tão cansado e sinto nos ossos o chamamento da água, o chamamento sibilino que se confunde com o ranger das portas das casas onde jamais voltarei: venha…
O Amor Tudo Mata quando Morre
José Jorge Letria
Eu morro dia a dia, sabendo-o, sentindo-o, com a morte do amor em mim. Esvaiu-se, ensandeceu, partiu, espécie de sol sepultado por mãos ímpias, numa cratera de lua, algures, ou…
O Cerimonial das Mãos
José Jorge Letria
Mãe, onde foi que deixaste a outra metade, a que anunciava o sol na turvação das noites, a que iluminava a sombra no cerimonial das mãos? Em que côncavo de…
A Árvore, a Estrela e a Pequena Mão
José Jorge Letria
A pequena mão desenha a árvore onde uma estrela se aninha para dormir. Que dia será o de amanhã no meio dos escombros onde o eco da súplica enlouquece os…
Com uma Estrela na Voz
José Jorge Letria
Que voz é esta? De onde vem? Que fantasmas antigos desperta quando tudo o mais parece ferido pela imobilidade de um sono de pedra? Corres agora atrás das vozes acantonadas…