David Mourão-Ferreira

David Mourão-Ferreira

Portugal — Poeta/Escritor

24 Fev 1927 // 16 Jun 1996

24 Poemas

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    David Mourão-Ferreira Ternura

    David Mourão-Ferreira
    Desvio dos teus ombros o lençol, que é feito de ternura amarrotada, da frescura que vem depois do sol, quando depois do sol não vem mais nada... Olho a roupa…

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    David Mourão-Ferreira Noite Apressada

    David Mourão-Ferreira
    Era uma noite apressada depois de um dia tão lento. Era uma rosa encarnada aberta nesse momento. Era uma boca fechada sob a mordaça de um lenço. Era afinal quase…

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    David Mourão-Ferreira E por Vezes

    David Mourão-Ferreira
    E por vezes as noites duram meses E por vezes os meses oceanos E por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmos E por vezes encontramos de…

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    David Mourão-Ferreira Presídio

    David Mourão-Ferreira
    Nem todo o corpo é carne... Não, nem todo Que dizer do pescoço, às vezes mármore, às vezes linho, lago, tronco de árvore, nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco...?…

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    David Mourão-Ferreira Ladainha dos Póstumos Natais

    David Mourão-Ferreira
    Há-de vir um Natal e será o primeiro em que se veja à mesa o meu lugar vazio Há-de vir um Natal e será o primeiro em que hão-de me…

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    David Mourão-Ferreira Labirinto ou não Foi Nada

    David Mourão-Ferreira
    Talvez houvesse uma flor aberta na tua mão. Podia ter sido amor, e foi apenas traição. É tão negro o labirinto que vai dar à tua rua ... Ai de…

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    David Mourão-Ferreira O Corpo Os Corpos

    David Mourão-Ferreira
    O teu corpo O meu corpo E em vez dos corpos que somados seriam nossos corpos implantam-se no espaço novos corpos ora mais ora menos que dois corpos Que escorpião…

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    David Mourão-Ferreira Paisagem

    David Mourão-Ferreira
    Desejei-te pinheiro à beira-mar para fixar o teu perfil exacto. Desejei-te encerrada num retrato para poder-te contemplar. Desejei que tu fosses sombra e folhas no limite sereno dessa praia. E…

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    David Mourão-Ferreira Silêncio

    David Mourão-Ferreira
    Já o silêncio não é de oiro: é de cristal; redoma de cristal este silêncio imposto. Que lívido museu! Velado, sepulcral. Ai de quem se atrever a mostrar bem o…

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    David Mourão-Ferreira Natal, e não Dezembro

    David Mourão-Ferreira
    Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido... Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos, e depressa, em…

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